O fim é algo normal
As pessoas que não gostam de sua ideia;
Sim, pode ser doloroso, mas as vezes é a saída que cura.
O fim acontece todos os dias
O fim do senso, do denso e do mundo
O fim do romance de esquina, do salário do mês
Mas eis que todo fim guarda um recomeço
E o Deus que nos rege todos os dias
Promete isso incessamente,
É só saber
E colher, claro.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Depois do fim
domingo, 16 de dezembro de 2012
Admirável Zeca
Estava na pracinha à noite,
tomando mais uma cerveja, quando eu vi o Zeca, companheiro de infância e de
poesia. Zeca tava bem, dava para ver sua felicidade de longe. Estava para se
casar - eu iria ser seu padrinho - e também terminava o seu curso de engenharia
elétrica. Bem diferente do que planejávamos ser. Eu queria montar uma banda,
Zeca seria o guitarrista e chamaria mais dois para completar o time. Mas ele
estava feliz, e também estava certo, correndo atrás de seu futuro, ser um pai
de família. Eu ainda estava naquela situação, cansado de trabalhar naquela
contabilidade cujo salário mal dava para comprar uma beca nova.
Levantei para cumprimentá-lo.
Sentou-se do meu lado; estava com duas sacolas na mão, que pareciam ser peças
de um jogo de banheiro.
- E ai, como é que tá, Juca?
- Sobrevivendo ao caos, caro
Zeca.
- Bobagem, rapaz. Olha pra você,
cheio de saúde, novo...
Zeca sempre teve aquele olhar
otimista, que às vezes incomodava pacas. Como no episódio em que eu vi uma
garota que eu gostava ficando com outro na festinha, ele me acalmando e dizendo
que ela não me merecia, e me impedindo enquanto eu pedia mais bebida ao garçom.
- E as poesias?
- Que poesia? Ultimamente não tem
nada de bom para se rimar. A vida tá um saco, cara.
- Juca, sempre reclamando... O
teu mal é o de se isolar dos outros. Olha ao redor, rapaz! Veja quanta gente,
esperando que a sua história seja contada! Olha aquela moça, de sorriso bobo,
olhando o celular, aquele taxista ouvindo seresta, enquanto não chega clientes!
História é o que não falta, meu amigo.
- Teu otimismo é admirável. Só
que não.
- Tá certo, meu amigo, tá certo.
Faz o que quiser. Vamos pra Ilhéus, nesse fim de ano? Uns amigos estão
organizando, vai ser bacana. Essa cidade às vezes cansa nossas vistas. – disse,
rindo.
Zeca, admirável Zeca. Sempre
vinha com uma novidade para me tirar do lugar, pois como ele dizia, “água
parada dá bicho!”. Eu disse que iria pensar, ele insistiu, e eu não tive outra
resposta a não ser um “sim”.
Ele se lembrou dos preparativos
de seu casório, me chamou também para assistir o jogo do Flamengo, e foi
embora. Zeca, grande Zeca. Quando crescer, quero ser que nem ele.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Um dia eu quis mudar o mundo...
...Mas para mudar o mundo, eu tinha que mudar as pessoas.
Vish, mas que tarefa complicada essa...
Enfim... Se era para mudar algo, eu tinha de saber o que estava errado, e então dar minha humilde sugestão.
Comecei a prestar atenção nas pessoas. Nos seus atos, nas suas palavras de honra, nos seus olhares.
Algumas tinham um olhar doce e exalavam paz. Outras tinham vergonha, outras tinham raiva. Outras tinham tristeza. Muitas não tinham nada.
Bem... O que fazer?
Acho que ouvindo-as poderia ajudar.
Comecei a ouvir.
Nossa, como eram variados os testemunhos! Eu tentava me imaginar no lugar de cada uma.
Alguns casos eram bem divertidos; de amores de janela a sogras folgadas;
Uns eram tristes; Histórias marcadas por cruzes, mas também por esperança.
E umas eram previsíveis: A pessoa errava, se arrependia, se afogava em ilusões, e depois voltava. Era um ciclo vicioso.
Mas apesar de tantas as histórias diferentes, a maioria tinha um quê de igual. Não gostavam de ouvir opiniões diferentes. Umas eram delicadas, e diziam que eu era superficial, mas outras diziam que eu não sabia o que estava dizendo, e que eu fosse cuidar da minha vida.
Bom, deduzi então que conselhos não era o ponto forte para essas pessoas...
Elas precisavam de algo mais, algo que movimentasse a vida delas. Algo que as fizesse ter uma outra perspectiva de vida, um novo recomeçar.
Pensei, pensei, pensei.... Plim!
Claro, o tal algo, era o amor. Tinha que ser amor! O que mais, para aquebrantar os corações de pedra?
Vamos lá, falar de amor. Voltei a observar, a ouvir, mas em vez de aconselhar, eu tentei falar de amor. E lá vai uma série de opiniões diferentes... "O amor não existe", "É coisa de novela, serve para os outros, mas para mim não", "O amor é uma utopia", "Amor só acontece quando alguém não discute"... E por ai vai. Cara, quem ensinou isso para essas pessoas? Não precisei de muito esforço para descobrir. Andava nas ruas, e revistas tinham na capa "a promessa de um amor perfeito". Nos cd's, quase todas as músicas eram de "amor". Nos cartazes de filmes, nossa... quanta variedade. Chegava a ser cômico. Pois bem, mas então como aniquilar essas caricaturas amorosas?
Pensei, pensei, e cheguei à seguinte conclusão: "Ninguém come um fruto se não sabe de qual árvore é".
Batata, isso mesmo! Cara, como não pensei nisso antes...
Mas, só uma coisa.... De onde vem o amor?
Não, porque de algum lugar tem que vir!
De alguma coisa!
De alguém...
Mas de quem?
A humanidade? Não, não para poder criar. Se é criado, vem de um Criador.
Nosso Criador portanto é... Deus?
Aquele que tanto falam que é ilusão? Que é coisa da cabeça da gente?
Eu não sei... Mas, pensando bem... Se distorcem tanto o amor, será que não acontece o mesmo com Deus?
Então... Deus é amor?
Parei, pensei, observei.
Estava olhando, sem compromisso, quando vejo um garotinho sorrindo, e correndo, no meio da rua, sem se preocupar. Quando lá no inicio da rua, vem um carro. Rapidamente, uma mulher corre em direção ao menino, e puxa-o pela mão, fazendo-o cair por cima dela no chão, enquanto o carro corria, levantando poeira. Ela disse a ele: "Tá tudo bem.", e sorriu.
Uma certeza invadiu meu coração, dizendo: "Sim, eu sou o Amor. Leve isso para as pessoas, puxe elas para o amor como a mãe puxou o filho para a vida."
Pensei, pensei, pensei...
E mais tarde, pude discernir, que sem o Amor, o verdadeiro Amor, o que provém de Deus, é o único que causa mudanças nas pessoas. O resto é bagunça e em nada acrescenta.
Então, em vez de aconselhar, passei a falar de Deus. Uns acolhem, outros não. Mas é a vida. E não dá para pará-la.
O amor revoluciona.
O amor... é irresistível.
Vish, mas que tarefa complicada essa...
Enfim... Se era para mudar algo, eu tinha de saber o que estava errado, e então dar minha humilde sugestão.
Comecei a prestar atenção nas pessoas. Nos seus atos, nas suas palavras de honra, nos seus olhares.
Algumas tinham um olhar doce e exalavam paz. Outras tinham vergonha, outras tinham raiva. Outras tinham tristeza. Muitas não tinham nada.
Bem... O que fazer?
Acho que ouvindo-as poderia ajudar.
Comecei a ouvir.
Nossa, como eram variados os testemunhos! Eu tentava me imaginar no lugar de cada uma.
Alguns casos eram bem divertidos; de amores de janela a sogras folgadas;
Uns eram tristes; Histórias marcadas por cruzes, mas também por esperança.
E umas eram previsíveis: A pessoa errava, se arrependia, se afogava em ilusões, e depois voltava. Era um ciclo vicioso.
Mas apesar de tantas as histórias diferentes, a maioria tinha um quê de igual. Não gostavam de ouvir opiniões diferentes. Umas eram delicadas, e diziam que eu era superficial, mas outras diziam que eu não sabia o que estava dizendo, e que eu fosse cuidar da minha vida.
Bom, deduzi então que conselhos não era o ponto forte para essas pessoas...
Elas precisavam de algo mais, algo que movimentasse a vida delas. Algo que as fizesse ter uma outra perspectiva de vida, um novo recomeçar.
Pensei, pensei, pensei.... Plim!
Claro, o tal algo, era o amor. Tinha que ser amor! O que mais, para aquebrantar os corações de pedra?
Vamos lá, falar de amor. Voltei a observar, a ouvir, mas em vez de aconselhar, eu tentei falar de amor. E lá vai uma série de opiniões diferentes... "O amor não existe", "É coisa de novela, serve para os outros, mas para mim não", "O amor é uma utopia", "Amor só acontece quando alguém não discute"... E por ai vai. Cara, quem ensinou isso para essas pessoas? Não precisei de muito esforço para descobrir. Andava nas ruas, e revistas tinham na capa "a promessa de um amor perfeito". Nos cd's, quase todas as músicas eram de "amor". Nos cartazes de filmes, nossa... quanta variedade. Chegava a ser cômico. Pois bem, mas então como aniquilar essas caricaturas amorosas?
Pensei, pensei, e cheguei à seguinte conclusão: "Ninguém come um fruto se não sabe de qual árvore é".
Batata, isso mesmo! Cara, como não pensei nisso antes...
Mas, só uma coisa.... De onde vem o amor?
Não, porque de algum lugar tem que vir!
De alguma coisa!
De alguém...
Mas de quem?
A humanidade? Não, não para poder criar. Se é criado, vem de um Criador.
Nosso Criador portanto é... Deus?
Aquele que tanto falam que é ilusão? Que é coisa da cabeça da gente?
Eu não sei... Mas, pensando bem... Se distorcem tanto o amor, será que não acontece o mesmo com Deus?
Então... Deus é amor?
Parei, pensei, observei.
Estava olhando, sem compromisso, quando vejo um garotinho sorrindo, e correndo, no meio da rua, sem se preocupar. Quando lá no inicio da rua, vem um carro. Rapidamente, uma mulher corre em direção ao menino, e puxa-o pela mão, fazendo-o cair por cima dela no chão, enquanto o carro corria, levantando poeira. Ela disse a ele: "Tá tudo bem.", e sorriu.
Uma certeza invadiu meu coração, dizendo: "Sim, eu sou o Amor. Leve isso para as pessoas, puxe elas para o amor como a mãe puxou o filho para a vida."
Pensei, pensei, pensei...
E mais tarde, pude discernir, que sem o Amor, o verdadeiro Amor, o que provém de Deus, é o único que causa mudanças nas pessoas. O resto é bagunça e em nada acrescenta.
Então, em vez de aconselhar, passei a falar de Deus. Uns acolhem, outros não. Mas é a vida. E não dá para pará-la.
O amor revoluciona.
O amor... é irresistível.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
20 anos
- Quer dizer então que você quer sair de casa? – perguntou meu
pai. Sua expressão era a mesma de todos
os dias: cansada, com os traços faciais realçados pelo suor misturado com a
graxa.
- Sim, pai... Qual é o problema? Já tenho 20 anos. – falei,
sentado na minha cadeira giratória, olhando meu pai com a expressão “O que de
anormal tem isso?”
Ele passou as mãos sobre os cabelos, que já começavam a
ficar grisalhos.
- Você tem ideia do que é sair de casa?
- Hey, não tem nada demais. Apenas quero ser independente.
Só isso.
- Independente,
independente! Você fala assim como se as coisas fossem simples! – Meu pai
sempre apertava os olhos quando ficava nervoso, ou algo parecido.
- Não vou saber se não são, se eu não tentar. – comecei a
roer as unhas. Exatamente o que papai fazia quando estava meio “to nem aí”.
- Vem cá, qual o porquê disso? Você tem seu estágio, tem sua
casa, sua namorada, sua família! Porque diabos largar tudo e ir se arriscar
numa cidade grande por causa de uma faculdade? – Meu pai não era o único a não
ver sentido nas minhas ideias. Ele só
era mais um de um fila imensa.
- Ah pai... Eu quero sair dessa mesmice... Sei lá, quero
conhecer pessoas novas, ver lugares, sentir outras vibes! Eu quero viver! O que
tem demais nisso?
Papai continuava com as mãos na cabeça, girando de um lado
pro outro.
- Filho, falar que quer independência é fácil, quando se tem
uma mãe que lava suas roupas e faz a sua comida, um pai que te dá dinheiro pra
você sair com a sua namorada! Você sabe como é a situação aqui em casa. Sabe
que tudo o que temos, foi duro pra conseguir! Eu ralo quase o dia todo naquela
oficina, pra botar o alimento na mesa!
- E você quer que eu
seja igual você, pai? – A minha pergunta poderia compreendida em várias
vertentes. Em uma, eu comparava meu pai
a um grão de ervilha. E em outra... Também.
- Filho... Eu tenho o maior orgulho de você. Você é um filho
que nunca me deu grandes trabalhos, como muitos que vejo por ai. Admiro o seu
talento, de fazer música, de cantar... Isso não é pra qualquer um! Olha meu
filho... Eu digo por mim... Quando eu tinha a sua idade, eu sonhava com isso
também, mas...
- Mas a minha namorada ainda não tá grávida, pai.
Então a onça que eu estava cutucando com a vara curta, veio
com tudo para cima de mim, tirando até o meu direito de resposta.
- Mas como ousa, seu moleque! Como consegue ser tão ingrato?
Eu tiro da minha boca pra lhe dar o que comer, moleque mimado!- De repente uma
vergonha me tomou a face. Meu pai simplesmente nunca tinha falado assim comigo.
Ele, vendo o peso das suas palavras,
tentou emendar. – Filho, eu torço por você, mas não posso te apoiar
nessa loucura. A vida vai muito além de uma lista de aprovados no vestibular,
garoto.
E ele ia me dar às costas, me deixando pensar no que eu há
tanto tempo tramava. Mas num impulso de coragem, soltei:
- Você tem razão, pai.
Ele então se virou e me encarou. Eu era uma cópia quase
idêntica do meu pai. Tanto fisicamente, quanto psicologicamente. Eu tinha 20
anos, ele 40. Eu gostava da música, meu pai também. Ele tinha a minha idade
quando eu acabei com o sonho dele, vindo ao mundo. Afinal, alguém tinha que me
sustentar e me dar um nome.
- A vida vai muito além da lista de aprovados no vestibular,
com certeza. Mas acredito que ela também não se resume numa oficina e numa
família.
O silêncio começou a reinar ali.
Seria meu pai uma prévia do meu futuro, ou seria eu um
recomeço à parte da vida dele?
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Rotina
A neblina cai em constância
Por todo o frio,
Por todo o canto.
E meu canto se sufoca a cada pingo,
Dando lugar a um gemido incompreensível
Que se traduz em cansaço
No esmo do fardo;
Cadarço atado em nó
Ilusão de estar só
Súbitas são as minhas dúvidas
Sobre as proezas da vida;
Calejadas são as respostas
Que o vento me assopra na face.
E assim nascerá mais um dia
Sem falar dos pesares, promete alegria
Sem nenhum palpite, promete surpresa
E sem nenhuma dança, promete beleza.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Perdura
Todo dia é uma luta
E toda luta custa um dia
Temos conceitos, e porque não preconceitos
Muitos dizem que não tem
Mas corpo e atitudes dizem o inverso
Ora, ninguém é obrigado a gostar de tudo
E o tudo inclui nós mesmos
Não somos perfeitos
Temos defeitos
Discutimos, argumentamos e ficamos em cima do muro
Tranformamo-nos no que em outrora condenávamos
É muito fácil falar de fome quando já se tem o pão
É muito fácil falar dos roubos quando se pratica a corrupção
É muito fácil "revolucionar" sem ao menos se levantar do sofá
É muito fácil falar de amor quando nem se sabe amar
Ora ora, onde iremos parar?
Tudo vira clichê de televisão
Tudo é retratado como alienação
Se nem queremos enxergar o verdadeiro profundo
Tampouco nossa indiferença irá mudar o mundo.
sábado, 16 de junho de 2012
Singelo
Nesse lugar, onde todas as coisas
Tem um preço etiquetado
Ainda há algo que é valioso, mas não está em abate
Neste algo ninguém dá xeque-mate
Pois bem, isso é o Amor
Não é aquilo que vemos na publicidade
Não é o que comemos nos enlatados
Não é o que nos deixa condenados
O amor salva, renova e transcende expectativas
Ele não magoa, ele não ilude
Pelo contrário, ele é reverso a tudo isso
Tão grandioso nos seus feitos, mas tão simples na sua maneira.
O amor não tem rótulos;
Não é generalizado, não é enjoativo
Porque o seu Criador é sempre Novo
E o ardor ele derrama sobre o povo
O amor não tem formato de coração
O formato dele é uma Cruz
Porque um coração é fraco para tudo isso
Já a cruz suporta a dor em troca da sua redenção
Amor é mistério;
Tem muitos nós quem em nós se faz
Contudo, nunca são cegos
Enfim, o amor é impressionante
Constante, brilhante, veludo
Sim, o amor é tudo!
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Verso de Príncipe
Da janela do seu quarto
Em meio às pastagens
Você já me avista chegando
É, esse sou mesmo
Vindo num cavalo branco
Vim pra cumprir minha palavra de homem fiel
E pra te levar embora desse lugar
Que nunca lhe pertenceu
Ande, pegue logo suas coisas
Saia sem se despedir
Porque lá fora o tempo é curto
Você não acredita que eu vim mesmo
Achou que eu era mais um que ofereceria ilusões
Mas não sou, você sabe que não sou desse jeito
Venha, sobe na garupa
Aperta meu tronco com suas mãos
E vamos fugir desse lugar
Que nunca foi digno de ser nosso
Agora realizei meu sonho,
Agora você é finalmente minha
Enquanto o sol nasce mais uma vez
Banhando todo canto com sua bela luz
Estamos agora caminhando
Para o que todos intitulam "Felicidade"
Afinal, nunca é tarde para alcancá-la...
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Dueto
- Me dê dois
motivos para mim ficar, e não mudar de ideia nunca mais. - disse ela, me
encarando nos olhos tão profundamente, que eu conseguia ver o quanto suas
pupilas, mesmo dentro de olhos negros, se dilatavam.
Ela gostava de
desafios; e não tirava esse direito dela. Tantas foram as vezes a fiz correr
riscos... Pra começar, eu já sou um risco.
Tato
e olfato andam juntos no seu pescoço
E a
junção deles me inspira o paladar
Afeta
minha visão
E
me tira a audição.
Portanto,
qual o sentido de deixá-la ir embora?
Quem
vai me beijar antes do nascer da aurora?
Eu
sou mesmo um bobo em concordar com tais tolices.
Ela
quer ver meu amor ser provado a fogo
E o
tempo que me resta é cada vez mais valioso.
***********************
- Os motivos
já são tão óbvios que não tem mais graça. - ele me perturba com tamanha cara de
pau. Até quem não nos conhece sabe que nosso amor já perdeu a validade, sem
direito a renovação de contrato. Por quê ele insiste em me prender? Por quê não
me tira dessa cilada, e me deixa viver a vida?
Minha
vida sem ele é como um rio sem água
Sem
vida, sem nada
Mesmo
que me pertube
Continuo
o desafio
Já
foi o tempo em que eu era garota,
Quando
acreditava em tudo o que me dizia
Sonhos
e sonhos me prometia
Com
um matrimônio me tirou a vida vazia
Mas
ele mesmo ficou monótono
Como
um concerto de piano
Dessa
vez é sério, nunca mais ele me causa danos!
***********************
- Mesmo assim
ainda quero saber quais são. Minhas malas estão prontas. Agora é tudo ou nada.
- Agora nem parece que somos casados há dez anos. Mais parece aquele casalzinho
meloso do colegial, banhados de flores e juras de amor eterno. Não sei qual o
porquê de ela achar que não a amo mais. O que quer dizer que os riscos que eu
deixei passar no caminho foram maiores que todo o meu sentimento?
Apenas o
relógio que ainda fala
Dentro
dele o meu tempo grita
"Vamos
logo, acaba de vez com essa briga!"
Mas
cadê a coragem quando mais precisamos dela?
Já
não tenho dom de intérprete
Para
persuadir a minha bela.
"Tudo
ou nada", ela mesma falou
Agora
não importa saber
Quem
de nós dois foi que errou.
***********************
- Sabes fazer
um omelete como ninguém, e... essa casa não é nada sem o teu brilho. - Canalha,
idiota! Eu quero é ouvir mentiras de amor sincero! Como consegue tamanha cara
de pau? Eu nunca vou entender os homens. Depois dizem que as mulheres é que são
dissimuladas. Canalha! Porque não diz logo que me ama, pra eu desistir de vez?
Estou
séria como um defunto
Mas
é inevitável como ele me faz rir
De
tamanhas bobagens
Acho
que é isso que eu gosto nele
É
isso que o diferencia dos demais
Eu
posso até negar, mas é o único que me satisfaz
Até
quando não me dou por satisfeita.
Não
vale de nada o meu suspense
E o
trabalho das malas feitas.
***********************
- Por quê faz
isso comigo? Eu levo você tão a sério, e você... - eu adoro despertar o riso
dela. - Então essa é a melhor maneira de dizer que me ama? - Sim, e era. Ela
sabe muito bem que não gosto do óbvio, pois ela sabe que ficar comigo é um
risco que ela corre, sem nenhum tipo de recompensa.
Minha
pequena de pele alva
Sei
que a ganhei quando me dá sorrisos
Que
boba, ainda não aprendeu a brincar de siso
Ela
gosta desse cafajeste
Que
a beija ardentemente
E a
faz esquecer de todos os meus porres
Considero
que fizemos as pazes
Mas
não dou uma hora
Para
nossa separação já estar nos cartazes.
***********************
- Essa é a
melhor e mais sincera. Anda, vamos desfazer as malas e continuar a vida. Ah, e
não lhe trarei flores, bobinha. - Sim, eu sou mesmo uma bobinha. Com ele não dá
pra brigar nem pela pior vagabundagem. Ele faz de propósito, sabe que o meu
amor por ele é maior de que todas as minhas tensões. Agora é subir as escadas,
desfazer as malas, trocar beijos, e ir cozinhar o arroz.
Meu
amado e convencido
Outro
não poderia ser meu marido
Se
não fosse ele, eu ficaria pra tia
Mas
como ele existe, minha vida não fica vazia.
E
sei que ele gosta de mim pelo menos um pouco
Também
pudera, pois outra não daria essa colher de chá
Para
esse homem louco.
Desfaço
toda essa discussão
E
reinicio novamente esse filme de paixão.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
O mendigo e o aprendiz
Ele não tinha nenhuma expectativa de vida.
Até que um dia pegou suas poucas economias, e comprou um violão.
Era um Giannini GCX15 Acústico, com entrada para amplificador.
Mas ele não sabia tocar nota alguma, só sabia desafinar o coitado. Porém, era persistente.
O violão agora era o seu único e melhor amigo. Saía as ruas, com o instrumento nas costas. Além de desafinar o Giannini, andar nas ruas sem nenhum objetivo específico era seu passatempo preferido.
Numa dessas caminhadas, começou a cair uma forte tempestade. Correu, até que avistou o barraco de um mendigo. Se aproximou, e o homem velho o abrigou.
Não falaram nada um ao outro. Nem sequer se olharam. Ficaram apenas contemplando a chuva cair, molhando os passantes e causando tumulto na cidade.
- É seu esse violão? - perguntou o mendigo. Ele aparentava ter mais de cinquenta anos. Usava roupas manchadas de terra, e um pequeno chapéu casual.
Ele balançou a cabeça afirmativamente para o velho homem.
- Me empreste ele um pouquinho. Faz tempo que não toco. - disse ele, pegando o instrumento do jovem rapaz, e o examinou. - Ele está meio desafinado. Posso afiná-lo?
O jovem rapaz novamente aprovou com a cabeça. O mendigo, com sua ousadia, começou a tocar uma canção antiga, e o rapaz ficou admirado com a habilidade que este tinha com o violão. Era de admirar-se. A música acabou, e logo em seguida o velho homem começou outra. E terminou essa, e começou outra, e assim em diante. Até que uma hora, parou, e devolveu o instrumento ao dono.
- A chuva já passou, meu rapaz. Aproveita que cessou, e pode ir.
- Me ensina a tocar? - disse o jovem moço.
- Eu nem sei tocar direito... - disse o mendigo, gargalhando. - Tirando essa vez de agora, a última vez que toquei foi há mais de 30 anos atrás, quando eu ainda tinha vida. - Qual é o seu nome?
- Eu não tenho nome. Não tenho família. Só tenho esse violão.
- Bom, sendo assim, vou dar-lhe um nome. Posso te chamar de Tom?
- Pode sim. - disse o rapaz, dando um sorriso de canto. - E qual é o seu nome?
- Pode me chamar de Viola.
Viola então ensinou o jovem a tocar, e aos poucos ele foi aprendendo as melodias. O velho era um tremendo artista, por onde andava, onde achasse uma moça bonita, lhe fazia um verso improvisado, e lhe dava uma rosa. Além de cantor, também era mágico.
Dali em diante, o jovem Tom era o companheiro de todas as horas do velho Viola, sempre tocando violão enquanto o artista declamava versos apaixonados para as moças que passavam na rua. E sem cobrar nada, um sorriso que elas lhe exibia, já era tudo.
E os amigos continuam a fazer a sua arte em todas as esquinas da cidade, despejando alegria nas pessoas e colorindo os ambientes em que passam.
Ilustração: Eduardo Souza
Twitter: @meus_planos
Até que um dia pegou suas poucas economias, e comprou um violão.
Era um Giannini GCX15 Acústico, com entrada para amplificador.
Mas ele não sabia tocar nota alguma, só sabia desafinar o coitado. Porém, era persistente.
O violão agora era o seu único e melhor amigo. Saía as ruas, com o instrumento nas costas. Além de desafinar o Giannini, andar nas ruas sem nenhum objetivo específico era seu passatempo preferido.
Numa dessas caminhadas, começou a cair uma forte tempestade. Correu, até que avistou o barraco de um mendigo. Se aproximou, e o homem velho o abrigou.
Não falaram nada um ao outro. Nem sequer se olharam. Ficaram apenas contemplando a chuva cair, molhando os passantes e causando tumulto na cidade.
- É seu esse violão? - perguntou o mendigo. Ele aparentava ter mais de cinquenta anos. Usava roupas manchadas de terra, e um pequeno chapéu casual.
Ele balançou a cabeça afirmativamente para o velho homem.
- Me empreste ele um pouquinho. Faz tempo que não toco. - disse ele, pegando o instrumento do jovem rapaz, e o examinou. - Ele está meio desafinado. Posso afiná-lo?
O jovem rapaz novamente aprovou com a cabeça. O mendigo, com sua ousadia, começou a tocar uma canção antiga, e o rapaz ficou admirado com a habilidade que este tinha com o violão. Era de admirar-se. A música acabou, e logo em seguida o velho homem começou outra. E terminou essa, e começou outra, e assim em diante. Até que uma hora, parou, e devolveu o instrumento ao dono.
- A chuva já passou, meu rapaz. Aproveita que cessou, e pode ir.
- Me ensina a tocar? - disse o jovem moço.
- Eu nem sei tocar direito... - disse o mendigo, gargalhando. - Tirando essa vez de agora, a última vez que toquei foi há mais de 30 anos atrás, quando eu ainda tinha vida. - Qual é o seu nome?
- Eu não tenho nome. Não tenho família. Só tenho esse violão.
- Bom, sendo assim, vou dar-lhe um nome. Posso te chamar de Tom?
- Pode sim. - disse o rapaz, dando um sorriso de canto. - E qual é o seu nome?
- Pode me chamar de Viola.
Viola então ensinou o jovem a tocar, e aos poucos ele foi aprendendo as melodias. O velho era um tremendo artista, por onde andava, onde achasse uma moça bonita, lhe fazia um verso improvisado, e lhe dava uma rosa. Além de cantor, também era mágico.
Dali em diante, o jovem Tom era o companheiro de todas as horas do velho Viola, sempre tocando violão enquanto o artista declamava versos apaixonados para as moças que passavam na rua. E sem cobrar nada, um sorriso que elas lhe exibia, já era tudo.
E os amigos continuam a fazer a sua arte em todas as esquinas da cidade, despejando alegria nas pessoas e colorindo os ambientes em que passam.
Ilustração: Eduardo Souza
Twitter: @meus_planos
sábado, 21 de janeiro de 2012
Oriundo
Tudo natural.
Como o voo de um pássaro, como uma estrela no céu.
Tudo belo, sem a necessidade de cobrança, mas de responsabilidade e humildade.
Tão simples, como um Sonho de Valsa, mas rico como um paraíso no meio do mundo.
Tão significativo quanto um SMS apaixonado no começo da manhã.
Tão inexplicável a ponto de me deixar acordado, sonhando sozinho pelo bem comum, pela paz.
Tão transformador como uma música num momento de deleite.
E é por ser tão natural que o deixa esplêndido, bonito de se ver e de se sentir.
É AMOR, você realmente faz coisas incapazes de serem criadas por nossa mísera mente.
Você realmente é remédio para a alma.
Como o voo de um pássaro, como uma estrela no céu.
Tudo belo, sem a necessidade de cobrança, mas de responsabilidade e humildade.
Tão simples, como um Sonho de Valsa, mas rico como um paraíso no meio do mundo.
Tão significativo quanto um SMS apaixonado no começo da manhã.
Tão inexplicável a ponto de me deixar acordado, sonhando sozinho pelo bem comum, pela paz.
Tão transformador como uma música num momento de deleite.
E é por ser tão natural que o deixa esplêndido, bonito de se ver e de se sentir.
É AMOR, você realmente faz coisas incapazes de serem criadas por nossa mísera mente.
Você realmente é remédio para a alma.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
O mascarado
Houve um tempo em que eu fingi ser outra pessoa nas minhas redes sociais.
Não me pergunte o porquê, talvez tenha sido a solidão, a falta de carinho, enfim, ser outra pessoa na rede me satisfazia. Era sempre adicionando pessoas, mantendo contatos, fazendo “laços”... Era convidado pra eventos, mas nunca recusava. Jamais. Depois emitia uma nota aos e-mails dizendo que aconteceu um imprevisto de última hora.
A minha foto da página inicial era a de um primo meu do interior, o Rogério, que não sabia nada de informática, trabalhava o dia todo numa fábrica de postes e estava repetindo a 6ª série pela décima vez. Tínhamos a mesma idade, e obviamente, ele era muito mais bonito que eu. E era o maior pegador da região onde morava.
Como conseguia as fotos? Bem, algumas vezes fazia umas visitas na casa dos meus tios, e aproveitava a ocasião, e roubava a imagem do pobre Rogério. Ele pensava que a internet era uma coisa de outro mundo, e pra convencê-lo a sair na fotografia, eu mostrava várias imagens de mulheres esbeltas, essas que a gente acha no Google, e salva. Ele ficava louco por aquelas beldades. Aí em casa, eu editava as fotos, para dar um “quê” na sua aparência.
Eu tinha vários amigos virtuais, e também tinha uma namorada virtual. Ela se chamava Alice. A gente conversava muito, a todo tempo, tínhamos sidos feitos um para o outro – na rede. Quer dizer... Eu fingia ser o cara perfeito pra ela. Para ela, eu gostava de sertanejo, era sarado, sabia surfar, lutava jiu-jítsu, tocava violão, e tinha muitos outros atrativos, além da minha aparente beleza. Todos os dias de manhã eu mandava alguma mensagem de amor para ela, e ela me respondia apaixonadamente. Mal sabia ela que estava mais perto de mim do que pensava. Morávamos na mesma cidade.
Um dia ela quis porque quis me conhecer pessoalmente. Eu inventava alguma desculpa, dizendo que não poderia ir, porque era longe, e teria outros compromissos. Alice se cansou dessas justificativas, e disse que se eu não fosse à cidade dela, nunca mais iria falar comigo. Eu tentei relutar, mas ela foi firme. Ela sempre dizia que estava se guardando pra mim, que não ficava com ninguém, e que eu era o cara da vida dela. Não tinha como recusar.
Certo, eu marquei um encontro. Lembrei então que o cara que ia se encontrar com Alice era eu, o Álvaro, e não o bonitão Rogério. Que enrascada eu tinha me metido... Mas achei injusto alimentar esperanças da moça, e decidi mostrar quem eu era. Não tentei me arrumar melhor, parecer bonito. Vesti-me como sempre me vestia, trajando calça jeans e camisa larga.
Tínhamos marcado numa lanchonete. Cheguei, e não havia sinal dela no local. Pedi um refrigerante, esperei por ela. Até que meia hora depois, Alice apareceu... Sem palavras pra descrevê-la. Ela estava absurdamente linda, de vestido, do qual nem lembro a estampa, só fiquei contemplando a beleza de suas curvas. Ela olhou em volta, não viu ninguém parecido com o garoto-sedução que ela tinha contato. Até que me deu coragem e gritei seu nome. Ela olhou pra mim, estranhando-me, naturalmente, pois não me conhecia. Encostei junto dela, e sussurrei.
- Eu sou o Rogério. O que surfa, luta jiu-jítsu, toca violão e ama sertanejo.
Ela passou os olhos em mim, e ficou um tanto surpresa.
-Desculpa, deve estar havendo algum engano...
Fiquei tenso. Meu coração pulsava o dobro. Como ela iria acreditar em mim? Não tinha a menor lógica, mas eu tinha que confessar.
-Eu sou o Rogério, o que você conversa todos os dias pela internet...
Ela me olhou com um olhar incrédulo.
-Olha, Alice... Não posso mais mentir... Na verdade, me passei por outra pessoa para te impressionar... Te investiguei, tentei descobrir do que você gosta... Aquele cara das fotos não sou eu, é um primo meu do interior... No começo era apenas um passatempo, mas depois eu fiquei acostumado a falar com você, desabafar...
-Não, isso não é possível! – disse ela, com lágrimas brotando nos olhos.
-Eu sei muito de você. Eu errei, mas eu estou aqui pra me desculpar, pra te falar a verdade...
-Quando eu nasci? – disse ela, me interrompendo.
-16 de maio de 1994.
-Qual o time de futebol que eu torço?
- Corinthians.
-O nome do meu cachorro?
-Bart. O nome da sua mãe é Zilda, a sua música preferida é “All Star”, do Nando Reis, e você só namorou um cara na vida, que se chama Cássio.
A medida que eu falei isso, cada informação correta era como se fosse um tapa na cara dela. A veia do seu rosto estava estufada, o rosto rubro, e cheio de lágrimas. Ela não se segurou, e deu-me uma bofetada.
- Seu cínico... Como teve coragem de fazer isso? Mentiroso, filho da mãe!
- Eu sou uma pessoa sozinha, Alice. Você apareceu pra me fazer companhia, é mais que uma amiga, cara, eu me apaixonei por você! Olha, eu não curto sertanejo, não surfo, não luto jiu-jítsu, não entendo nada de violão ou qualquer outro instrumento... E eu moro aqui na cidade, não moro no litoral...
A cada frase, mais era evidente a decepção nos seus olhos. Alice era sincera; se ela falou que estava se guardando pra mim, era verdade. Ela não suportava mentiras.
-E por que mentiu pra mim? Porque fingir ser outra pessoa, Rogério?
- É Álvaro, o meu nome... – outro tabefe, e de brinde, ela jogou o refrigerante do meu rosto, e saiu correndo dali. Quando me dei conta, toda à volta estavam curvando sua atenção para nós dois, alguns até tirando foto, ou filmando.
Paguei o lanche, e sai dali. Naquela hora queria virar uma formiga, e morrer com uma pisada em falso. Peguei um ônibus, e com muita luta, cheguei em casa.
Depois me lembrei que Alice seria capaz de me denunciar por falsificação ideológica. Entrei em todos os meus perfis, e exclui todas as contas. Todo o meu universo rogeriano tinha sido destruído. Voltei a ser Álvaro, o solitário, único filho de pais separados, sem amigos, e sem nada. Eu só tinha Alice. E ela não era mais minha.
Depois de um tempo, criei uma nova conta, no meu nome, com a minha foto, que não era atrativa como a do meu primo, e depois instintivamente, eu mandei uma solicitação de amizade a ela. Não aceitou. Tentei infinitas vezes. E tento até hoje, quem sabe um dia ela realmente não me aceita como seu homem e tudo volta a ser o que era antes?
Estou esperando.Ilustração: Eduardo Souza - Twitter: @meus_planos
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