sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Depois do fim

O fim é algo normal
As pessoas que não gostam de sua ideia;
Sim, pode ser doloroso, mas as vezes é a saída que cura.
O fim acontece todos os dias
O fim do senso, do denso e do mundo
O fim do romance de esquina, do salário do mês
Mas eis que todo fim guarda um recomeço
E o Deus que nos rege todos os dias
Promete isso incessamente,
É só saber
E colher, claro.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Admirável Zeca




Estava na pracinha à noite, tomando mais uma cerveja, quando eu vi o Zeca, companheiro de infância e de poesia. Zeca tava bem, dava para ver sua felicidade de longe. Estava para se casar - eu iria ser seu padrinho - e também terminava o seu curso de engenharia elétrica. Bem diferente do que planejávamos ser. Eu queria montar uma banda, Zeca seria o guitarrista e chamaria mais dois para completar o time. Mas ele estava feliz, e também estava certo, correndo atrás de seu futuro, ser um pai de família. Eu ainda estava naquela situação, cansado de trabalhar naquela contabilidade cujo salário mal dava para comprar uma beca nova.
Levantei para cumprimentá-lo. Sentou-se do meu lado; estava com duas sacolas na mão, que pareciam ser peças de um jogo de banheiro.
- E ai, como é que tá, Juca?
- Sobrevivendo ao caos, caro Zeca.
- Bobagem, rapaz. Olha pra você, cheio de saúde, novo...
Zeca sempre teve aquele olhar otimista, que às vezes incomodava pacas. Como no episódio em que eu vi uma garota que eu gostava ficando com outro na festinha, ele me acalmando e dizendo que ela não me merecia, e me impedindo enquanto eu pedia mais bebida ao garçom.
- E as poesias?
- Que poesia? Ultimamente não tem nada de bom para se rimar. A vida tá um saco, cara.
- Juca, sempre reclamando... O teu mal é o de se isolar dos outros. Olha ao redor, rapaz! Veja quanta gente, esperando que a sua história seja contada! Olha aquela moça, de sorriso bobo, olhando o celular, aquele taxista ouvindo seresta, enquanto não chega clientes! História é o que não falta, meu amigo.
- Teu otimismo é admirável. Só que não.
- Tá certo, meu amigo, tá certo. Faz o que quiser. Vamos pra Ilhéus, nesse fim de ano? Uns amigos estão organizando, vai ser bacana. Essa cidade às vezes cansa nossas vistas. – disse, rindo.
Zeca, admirável Zeca. Sempre vinha com uma novidade para me tirar do lugar, pois como ele dizia, “água parada dá bicho!”. Eu disse que iria pensar, ele insistiu, e eu não tive outra resposta a não ser um “sim”.
Ele se lembrou dos preparativos de seu casório, me chamou também para assistir o jogo do Flamengo, e foi embora. Zeca, grande Zeca. Quando crescer, quero ser que nem ele.