Deleite
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Ditosa Luz
Intrigantes são os mistérios divinos
Deus, ser infindo
Que anjos e homens não conseguem perscrutar
Escondido sob os véus sacramentais
Desafia nossas convicções
Ao se fazer tão próximo, de modo a ser íntimo
De nossos corações, paixões e amores
Em ardores nos fazem O contemplar
Decerto, isso nos deveria causar vertigens
Pois indo ao ápice das forças humanas
Não venceríamos os anos-luz do tempo
Pois de fato vemos que não submetemos nem as distâncias da alma!
Mas Ele vem em nosso auxílio
Como noivo que busca a sua noiva no altar
E juntos são participantes de admirável entrega recíproca
Em meus dilemas mais profundos, encontrarei respostas
N'aquele que É
E buscando conhecer o dom de Deus,
Quero sempre pedir a Água Viva que sacia
E dissipa toda sombra de dúvida
Sei que em Seu querer Ele me concederá,
E contemplarei por longos dias
A sua salvação.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
O zeloso guardião
Sonhei que estava em um alto monte
E irracionalmente saltei
Como carro desgovernado da ponte
Meus olhos se apertaram
De minha boca não saía grito algum
O impacto em pacto gerou-me medo
Acordei em súbito, mas tornei-me lúcido
Ao sentir e contemplar com a alma
Que um ser amigo me guardava com as suas asas serenas
O anjo guardião de todos os meus passos
Curava o meu amor escasso
Com a presença de meu Deus.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Pequenos Deleites
Eu poderia ser muitas pessoas, poderia passar por muitos lugares, poderia me fartar dos mais grandiosos banquetes e dos mais fortes vinhos. Eu poderia escrever diversas histórias, eu poderia ir aonde eu quisesse...
Mas de tal sorte encontrei a direção que nem imaginava, mas que ao mesmo tempo, esperei por toda a minha vida. Sim, o Bendito Senhor da terra se deu a conhecer a mim, rapaz sonhador, tão cheio de ideias, conceitos, tão cheio de mim, tão vazio de mim.
O Senhor me estendeu a mão. No começo, não entendi o porquê, nem para quê, mas quando levantei, vi aonde estava. Me assustei e não tive saudade. De repente, o mundo não era mais a minha pátria, embora ele ainda viva dentro de mim. Mas eis que o Amado Jesus cumpre quando diz que faz novas todas as coisas... E fez, e me fez, e me faz... Me chama com ardor, e minha alma se compraz no amor!
Depois de pôr o meu tudo de lado, vi que não era lá muita coisa. E quando penso no que o Senhor me reserva, prefiro silenciar. E caminhar. Não devo eu querer desejar ir a muitos lugares ou conhecer muitas pessoas, e os demais pontos, se nada condizer com a vontade de Deus. Na terra dos viventes verei muitas belas obras, mas a minha vida Nele está escondida, sob o manto celeste de nossa mãe do céu. E só me resta combater para um dia na eternidade poder ver o céu tão belo...
terça-feira, 4 de junho de 2013
A ré-primária
Um disparo entoou no espaço.
Logo voltou o silêncio da madrugada.
Na ruela deserta, ouvia-se passos apressados;
Toc toc, toc toc
Era o barulho dos sapatos de salto de Isabel
Descendo a ladeira, disfarçada, com óculos escuros e lenços deformando o rosto
Guardava um revólver apressadamente dentro da bolsa
Nos prédios, luzes acendiam nas janelas, assustadas, e logo apagavam, como em um pisca-pisca
Menos as da cobertura do prédio mais alto daquela rua.
Não demoraria para chamarem o poder civil para averiguar
A causa de tal disparo num bairro familiar
Isabel, moça graduada em Direito, agora não sabia como se defender
Da culpa que a torturava dentro da mente
Toc toc, toc toc
"Não tinha outra saída; fiz a coisa certa"
Logo à frente, a sirene de luzes vermelha e azul
Anunciavam a chegada dos heróis
"Não olhe, ande devagar, guarde o óculos e o lenço na bolsa", dizia para si mesma, e assim o fez.
Isabel, que não tinha base para tremer, arranjou uma quando os policiais desaceleraram o carro.
Toc... toc...
"Isso é hora de andar sozinha, princesa? Quer companhia?", disse um abaixando o vidro.
Sim, a idiotice revela os falsos heróis.
Logo ali, um ponto de táxi
Toc toc, toc, toc toc, toc toc toc
"Para o aeroporto, moço."
"Você está bem, moça? Como ir para o aeroporto sem bagagem?"
"Não gosto que me perguntem as coisas. Vamos logo."
E assim Isabel seguiu, contemplando o amanhecer da janela
Mas no seu castelo interior, ainda era madrugada.
"Chegamos. Deu R$ 28,00."
Naquela bolsa tinha coisa demais, menos a paz. E nessa procura pela carteira, o revólver cai no assoalho do carro.
Com a carteira na mão, Isabel apanha o revólver - herança de família - e o guarda apressadamente,
Mas não tão rápido quanto a percepção do motorista.
"Você não viu nada.", diz, e lhe entrega uma nota de cem reais, antes de sair do carro.
Toc toc toc toc toc
Não há mais tempo, é hora de fugir.
Mas não dá para fugir de si mesma, nem do ódio senão pelo perdão
Entre lençóis manchados de sangue jazia aquele homem,
Que ela confiou seu desordenado coração,
Suas carências profundas
E que acolhia às escondidas as carências de outra mulher.
Isabel chorava, com amargor
Pelo gosto do seu ato mortal
Contra aquele homem
Que nunca lhe pertenceu.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Paralelidades
Diferença, qual é a tua promessa?
Porque tantas vezes fica tão igual?
A sua semântica tem gosto doce
Esperançosa, como caminhar na orla ao amanhecer
Assim a tua missão deveria também nos fazer novos
"Diferentes", como tu mesma diz
Mas a cada novidade, tu nos sufoca
Os brilhos cegam os nossos olhos
As batidas acabam com nossos ouvidos
Diferença, tu deve se somar e não ao contrário
Não tens direito de individualizar ninguém
Mas ai paro pra pensar, que tu na maioria das vezes
Ainda é uma palavra,
Somente.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Poesia de guardanapo
O meu verso mais bonito
Tá guardado bem de frente da tua casa
Ele é a visão que tínhamos da lua
Ora cheia, ora minguante
Com beleza constante
O meu verso mais bonito tá gravado no aroma
Do teu perfume de flores
Das cores que tinham a nossa essência
Uma paráfrase daquilo que sempre sonhamos
Perdemos, mas no fim achamos
O meu verso mais bonito é um soneto
Que toca as tuas mãos, e não as solta por nada
É uma quimera, e mera transcendência
Nunca foi, nunca é e nunca será em vão.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Nova Velha Era
Um dia ela perdeu a sua causa
Nos livros que a enchente levou
E lavou todo o seu estoque de "sabedoria"
Abalou seu senso crítico
E crítico seu senso ficou
Para onde leva a lei do cosmos agora, moça?
Cadê o universo que nós mortais regemos?
Ela ainda corre, ela ainda chora
Mas não percebe que anda em círculos
Que de tão rodados não tem mais saída
"Pára de se debater, garota!"
É o que clama incessantemente a voz da vida
Gastada, ferida, sofrida
Ainda não se dá por vencida.
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